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Wellington Rafael
Geógrafo, Especialista em Geografia e Território, acadêmico do curso de História pela UEPB. Natural de São Paulo/SP, residente em Araruna - PB.
Email: well.geografia87@hotmail.com | Twitter: @wraffael
Postado em 11 de Junho de 2014 ás 20:40 h
Arara-Azul-de-Lear: Notas acerca da origem do nome Araruna
Arara-azul-de-lear / Foto: Renato Grimm
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Cada lugar apresenta suas particularidades, costumes e tradições que permeiam seus valores, história e cultura. Dentre suas significações se faz importante entender o por que de determinados topônimos serem utilizados, é de conhecimento geral, que a denominação do município de Araruna/PB, seja proveniente da língua tupi e que denomina uma ave,  porém pouco se foi aprofundado dentre tantas espécies de aves, qual seria de fato a famosa A'rara Una, falada pelos habitantes primitivos, os indígenas, deste lugar, e que foi transmitida através do dom da fala nominando as aves, a Serra de Araruna, e o próprio município.

A ave que primitivamente povoou os ares de Araruna, é segundo estudos de diversos ornitólogos (cientistas que se dedicam ao estudo das aves), a Arara-Azul-de-Lear, que não só era encontrada nesta região, mas por outros lugares do Nordeste. É uma ave da família dos Psittacidae de tamanho mediano e com suas penas na cor de um azul bem escuro, ao qual conheceremos melhor contextualizando-a com a origem do nome da cidade: ARARUNA.
Arara-azul-de-lear / Fonte: Projeto Arara Azul
Conta-se uma lenda nesta região em que alguns caçadores  ao atravessarem uma trilha nas serras viram um bando de araras fazendo um grande alarido. Daí, teriam exclamado: ARARUNAS!! Este local passou por eles a ser conhecido por "O lugar das Ararunas", que com o decorrer do tempo denominaram  o conjunto de serras de "Serra das Ararunas", tal qual denominamos até a contemporaneidade a serra onde se encrusta a cidade - Serra de Araruna.

O historiador Irineu Pinto, escreveu no jornal "A União", publicado no dia 21 de março de 1909, a respeito da região de Araruna, que nestas serras, existia uma grande pedra, onde as ararunas faziam seus ninhos, e que os viajantes a chamavam de "Pedra da Araruna", rocha esta, que com o decorrer do tempo passou a ser nomenclaturada como "Pedra da Boca", devido sua cavidade, decorrente de erosão.

Pedra da Boca, onde as "ararunas" faziam seus ninhos (Arquivo pessoal)
Contrafortes das Serras de Araruna e da Confusão, habitat primitivo das araras
 
Muitas pessoas desacreditam da existência destas aves na região, devido a muito tempo não serem mais avistadas, restando apenas como  possíveis indícios  de sua passagem, os ainda encontradas periquitos-da-caatinga (Aratinga cactorum), facilmente encontrados entre a Serra de Araruna e a divisa com o município de Japi/RN. As alegações da inexistências destas aves são refutadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que diz : "Essas aves eram abundantes na região"
Segundo Humberto Fonseca de Lucena, em Araruna - Anotações para sua história (1985): "O nome Araruna vem do tupi a'rara una e significa arara preta. Esta denominação decorre do fato de existirem à época do povoamento muitas dessas araras, que apesar do significado do nome (arara preta) distinguem-se pela plumagem azul escuro que, vistas à distância, aparecem negras".

Casal de Araras-Azuis-de-Lear em pleno voo / Foto: Projeto Arara Azul
Arara-Azul-de -Lear / Foto: Projeto Arara Azul
Grupo de araras em palmeira licuri  / Foto: Ciro Albano
Muito se especulou sobre a referida arara ser a Arara-Azul-Grande (Anodorhynchus hyacinthinus), ou até mesmo a Arara Canindé (Macrocerus ararauna) por seu nome se assemelhar a denominação primitiva A'rara Una, mas deve-se levar em consideração que esta nomenclatura vem do tupi, diferente do nome científico em latim dado a ave citada.

Envoltos a tantas duvidas, nos vem a constatação vinda através da Ornitologia, ramo cientifico que se dedica ao estuda das aves, que a A'rara Una que habitava estas serras se tratava da Arara-Azul-de-Lear, a presença desta ave nestas serras do Curimataú Oriental paraibano são confirmadas por grandes pesquisadores como: Tomás Pompeu Souza Brasil (1863), José Fernando Pacheco (1953), Leon Francisco Clerot (1969). Onde informam que não existem mais araras em Araruna, e não possuírem duvidas de que já existiram  estas araras na localidade, "já que vem de longe no tempo as histórias sobre elas", onde consideram a arara-azul-de-lear como  a mais provável de ter ocorrido no município de Araruna.

Casal de Araras / Foto: Mavila 2012
Casal de Araras / Foto: Mavila 2012
Além destes, Weber Girão acredita que tenha ocorrido na região tanto a Anodorhynchus hyacinthinus, quanto a arara-azul-de-lear Anodorhynchus leari, onde cita como indicador disto a referência do naturalista Spix  em seu Glossário das Línguas Brasileiras, a descrição da etimologia de Araripe como "lugar das araras".
Com a chegada do homem na região das Serras de Araruna e da Confusão, e do atual Parque Pedra da Boca, tornou-se difícil as condições de sobrevivência destas aves, seja por transformação antrópica de seu habitat, ou até mesmos para fugir de caçadores, na realidade estas aves migraram de diversas regiões do Nordeste encontrando-se atualmente apenas um pequeno grupo de cerca de 1000 membros em área endêmica na Unidade de Conservação Serra Branca (Raso da Catarina), no município de Jeremoabo (Bahia), divisa com Sergipe.
A arara-azul-e-lear (Anodorhynchus leari) recebeu este nome após ter sido retratada em 1832 em "Illustrations of the Family of the Psittacidae, os Parrots", por Edward Lear, ao qual por homenagem fora repassado seu sobrenome para "batizar" a ave, mesmo ele tendo a classificado erroneamente como da espécie Macrocerus hyacinthinus.

Litografia de Edward Lear em 1832, que contribuiu nos estudos e catalogação desta ave.
Sua alimentação baseia-se no consumo de pequenos cocos da palmeira licuri, onde na escassez da mesma partem para alimentos alternativos, principalmente o milho, voando diariamente num raio de 60 km do local onde moram em busca de alimento, onde consomem cerca de 250 coquinhos licuri por dia. Vivem nas cavidades naturais dos paredões de arenito, geralmente voam em duplas, através de casais fixos até o fim da vida, reproduzem-se entre os meses de outubro e abril, a distinção entre adultos e filhotes é feita através de sua região perioftálmica amarela nos adultos e esbranquiçadas nos filhotes.

Arara-Azul-de-Lear, ave azul escura denominada a'rara una (arara negra) pelos nativos indígenas
Esta ave que habitou na serras do município de Araruna, possui  tamanho mediano de cerca de 71 a 72 cm de comprimento, e está aos poucos saindo da lista de pretensos candidatos a extinção, através de projetos de preservação da espécie, que combate sobretudo seu principal motivo de declínio: o trafico ilegal para criadouros particulares no Brasil e exterior, além da destruição de seu habitat. 

Brasão de Araruna retratando como símbolo a arara entre as serras
Bandeira de Araruna, criada em 1977, retrata uma arara preta estilizada.
A Arara-Azul-de-Lear, além de nos ter provido a denominação A'rara Una, do qual o nome Araruna foi oriundo, remeteu o topônimo Serra da Araruna, e é retratada  como simbolo municipal,  a arara negra da bandeira ou a arara azul claro do brasão do município, porém, ambas deveriam ser azul escuro, assim como a ave, onde na origem do nome as araras azuis escuro a distancia pareciam negras.

 Wellington Rafael

Fonte: 
LEAR, Edward, 1812-1888 / Illustrations of the family of Psittacidae, or parrots: the greater part of them species hitherto unfigured, containing forty-two lithographic plates, drawn from life, and on stone (1832)
LUCENA, H.F. 1985 – ARARUNA- Anotações para a sua História. Coleção IV Centenário. Governo do Estado da Paraíba. João Pessoa, Paraíba. 
Municípios Brasileiros com nomes referentes a aves: http://www.ceo.org.br/municipios/municipios.htm
Portal Brasil: http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2013/10/icmbio-aprova-programa-de-cativeiro-da-arara-azul-de-lear
SILVA, Wellington Rafael da. Análise das transformações do espaço urbano na cidade de Araruna – PB, da fundação do povoado a 1967.
Por: Wellington Rafael
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