Brasil
ALTA MORTALIDADE: Novo parasita assusta médicos nordestinos e ainda não tem tratamento definido

Publicado em 26/12/2019 15:43

Reprodução

Uma mutação de um protozoário da família Crithidia é responsável por casos de uma doença similar a leishmaniose visceral (também conhecida como Calazar) e que está assustando médicos em Sergipe. O novo parasita —que deverá ser chamado Cridia sergipensis— ainda está em estudo, mas sabe-se que está causando infecções graves. Entretanto, ainda não há detalhes das formas de contaminação ou tratamento.

O novo parasita pode ajudar a entender por que Sergipe tem a taxa de mortalidade mais alta de leishmaniose visceral no país, com mortes em até 20% dos casos.

Casos de pacientes que supostamente tiveram a doença e foram atendidos pelo HU (Hospital Universitário) da UFS (Universidade Federal de Sergipe) a partir de 2011 estão sendo estudados e apontam que, em mais da metade das infecções, havia na verdade a presença do novo parasita —sozinho ou em conjunto com a Leishmania infantum (agente causador da leishmaniose visceral).

A certeza dos cientistas é que os casos suspeitos recentes no estado têm apresentado uma gravidade acima do esperado para a leishmaniose convencional, o que indica que pode haver contaminação do novo protozoário.

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Atualmente existem três pessoas com suspeitas da doença internadas em estado grave em Sergipe —uma delas portadora do vírus HIV. “Um caso é de uma criança que tratou, mas teve recidiva e está abarrotada de parasita na medula. A gente não vê essas coisas com frequência, e nos preocupa porque a gente começa a ter casos graves”, afirma Roque Almeida, imunologista e chefe do Laboratório de Biologia Molecular do HU da UFS.

A descoberta inédita do novo parasita foi publicada em artigo na edição de novembro do periódico científico “Doenças infecciosas emergentes”, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, do Departamento de Saúde dos EUA.

“Como existem poucos fármacos para tratar a leishmaniose, a identificação de uma nova cepa tripanossomática refratária ao tratamento —que pode causar doenças como uma única infecção ou como uma coinfecção por Leishmania— é grave e pode aumentar o problema do controle da doença”, afirma o artigo, assinado por 14 pesquisadores da UFS, UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), USP (Universidade de São Paulo), Instituto Nacional de Saúde dos EUA e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).


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