Brasil
Petrobras se cala após ameaça de Bolsonaro e não informa mercado sobre “mudanças”

Publicado em 19/02/2021 16:03 - Atualizado em 19/02/2021 16:03

Reprodução

A Petrobras mantém silêncio sobre as ameaças proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro. A Gazeta do Povo procurou a empresa e foi informada de que a estatal não vai comentar as declarações. A companhia também não se manifestou ao mercado financeiro. Por ter capital aberto, com ações negociadas no Brasil e recibos de ações nos Estados Unidos, ela tem a obrigação de informar primeiro o mercado sobre mudanças.

Na noite de quinta-feira (18), em sua live semanal nas redes sociais, Bolsonaro demonstrou irritação com os últimos reajustes nos preços dos combustíveis e sinalizou mudanças na estatal, sem dizer quais. As críticas foram feitas no mesmo dia em que a Petrobras anunciou aumentos de 15,2% para o diesel e de 10,2% para a gasolina, os maiores deste ano e de toda a gestão de Roberto Castello Branco à frente da companhia.

"Teve um aumento, no meu entender, fora da curva da Petrobras. 10% hoje na gasolina e 15% no diesel. É o quarto reajuste do ano. A bronca vem sempre pra cima de mim. Só que a Petrobras tem autonomia”, afirmou o presidente. Ele completou dizendo que não pode interferir na estatal, mas disse que "alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias". "Você tem que mudar alguma coisa. Vai acontecer”, avisou. Bolsonaro não detalhou quais seriam essas mudanças.

Em outra fala, o presidente direcionou as críticas ao presidente da estatal. “Como disse o presidente da Petrobras, há questão de poucos dias: ‘Eu não tenho nada a ver com caminhoneiros’. Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras. Isso vai ter uma consequência, obviamente”. A declaração soou como uma ameaça velada de demissão, já que o histórico de Bolsonaro mostra que ele costuma "fritar" publicamente seus desafetos antes que eles sejam desligados, a pedido ou pelo próprio Planalto.

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Segundo o jornal "O Estado de São Paulo", o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, está entre os cotados para assumir a presidência da Petrobras no lugar de Roberto Castello Branco. Albuquerque é nome de confiança de Bolsonaro e já tinha sido cotado para a Eletrobras, após a renúncia de Wilson Ferreira Júnior.

Mas Bolsonaro não tem autonomia para demitir o presidente da Petrobras sozinho. Ele pode sugerir a demissão, que tem que ser aceita pelo conselho de administração da companhia. O conselho é formado por pessoas indicadas pelo governo, acionistas e empregados.

Na manhã desta sexta-feira (19), Bolsonaro reforçou sua ameaça à estatal. "Anuncio que teremos mudança sim na Petrobras. Jamais vamos interferir nessa grande empresa, na sua política de preço. Mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes. Faça-os, mas com previsibilidade. É isso que queremos", disse em Pernambuco.

 

 

Por Jéssica Sant'Ana/ GAZETA DO POVO


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