Abuso e Morte
Parentes de menina morta por padrasto desconfiavam de abusos
Ágatha, 2 anos, foi enterrada nesta manhã; mãe não compareceu ao enterro

Publicado em 22/01/2019 19:15

Reprodução

Alguns sinais, como comportamento arredio, fizeram com que familiares de Ágatha Sophia desconfiassem que a pequena já vinha sendo estuprada pelo padrasto, o ajudante de pedreiro Edson Neri Barbosa dos Santos, 27 anos. A menina morreu no domingo (20), depois de ter sido abusada sexualmente na casa onde morava com a mãe e o padrasto, na Rua José Gomes de Aguiar, no bairro de Vila Canária, em Salvador.

"No Réveillon, carreguei Ágatha no colo. Ela começou a gritar: 'Ai, ai, não, não, está doendo'. Fiquei assustada porque a mãe deixava a menina sozinha com o padrasto. Ele costumava dar banho, trocar a roupa, colocar a menina no colo e ainda dar beijo na boca", declarou a tia da menina, a manicure Jacira Sales de Souza, 41, no velório da criança, que aconteceu na manhã desta terça-feira (22), no cemitério municipal de Pirajá.

Cortejo com o corpo de Ágatha no cemitério municipal de Pirajá na manhã desta terça (22) (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

Segundo a tia de Ágatha, o comportamento de Edson com a menina chamava a atenção dos parentes, menos da mãe, a diarista Jéssica de Jesus, 21 anos. "A gente perguntava a ela se havia alguma coisa de errado com a criança, mas ela dizia que não, que a criança gostava do padrasto", disse.

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

"Ela era uma mãe muito ausente. Uma vez a população tentou linchar Edson, quando rolou um boato de que ele havia tocado Ágatha de forma diferente. Ele escapou daquela vez por que a polícia chegou na hora, mas desta vez ele não teve a mesma sorte", completou a tia, na porta do cemitério.

Suspeito do crime, Edson foi morto na noite de segunda-feira (21), depois de ser capturado por uma facção criminosa. Em um vídeo que circula nas redes sociais e que foi obtido pelo CORREIO é possível ver o suspeito sem roupas e ferido na cabeça. 

A Polícia Civil informou que corpo encontrado com marcas de tiros no CIA/Aeroporto, na noite de segunda-feira (21), é mesmo do ajudante de pedreiro – segundo a família de Ágatha, é ele quem também aparece nas imagens da tortura, divulgadas no WhatsApp.

Polícia Civil divulgou foto de Edson Neris Barbosa, 27: suspeito do crime (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

A morte de Edson é investigada pela 1ª Delegacia de Homicídios / Atlântico (1ª DH/Atlântico), que já recebeu o laudo pericial com a confirmação do Departamento de Polícia Técnica (DPT) sobre a identificação do corpo, que permanece no Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues na tarde desta terça-feira (22).

Edson era procurado pela polícia - ele estava com mandado de prisão temporária em aberto por conta do estupro e morte de Ágatha. Segundo a família, o pai da menina, Ítalo Roque Lázaro da Costa, foi morto pela polícia no dia 22 de outubro de 2017, quando tinha 20 anos.

Por Correio 24 Horas


APP do SensocriticoPB
Google Play Store Apple App Store